
Não tinha nada
corpo não era carne
pústula não era dor
mente não era fábula
roto não era mortalha
não é nada, não
já passou

Não tinha nada
corpo não era carne
pústula não era dor
mente não era fábula
roto não era mortalha
não é nada, não
já passou

Para Antoni Tàpies, i.m.
I
SI PERDIÉRAMOS LA NOCIÓN DE LAS COSAS
EL ÁRBOL MUY ALTO Y TRISTE
SI NOS QUEDÁRAMOS EN ESTAS
CONJUGACIONES
DE LA AGUDA A LA MÁS GRAVE
PARA QUE NOMÁS INTUYERAS
NUESTRO ESQUIVO CORAZÓN
AL PAPEL Y A LA POESÍA
DOY DE LO QUE ME SOBRA
ASÍ ES ESTO
LO DEL ARTE
SE DA DE LO QUE REBALSA
SI NOS PERDIÉRAMOS POR ALLÍ
ANHELANDO Y CREYENDO
NO LLEGARÍAMOS A NINGUNA PARTE
LA POESÍA
ESTÁ AQUÍ MISMO
Y ME PRODUCE MÁS MIEDO QUE LAS BRUJAS
AUNQUE NO PARECE NI BRUJA NI HADA
EL FUEGO EXPIRA
UNA HEBRA DE ALGODÓN SE RETUERCE
SE CONSUME Y DESAPARECE
II
NADA ESTÁ ESCRITO
ESTE PAPEL OCIOSO
DEL POETA
DE ESPERAR
LA COLACIÓN
DAME DE TUS LABIOS
TOMA CON ELLOS
COMO CON TUS DEDOS
MI BOCA
DOY TESTIMONIO
DE LA POESÍA
DE MI ABIERTO CORAZÓN
LLENO DE ESPINAS
EL CAMINO UN SEGUNDO
NOS TRAJO HASTA QUÍ
ESTE PENSAR Y SENTIR
POR TODOS
POR TODOS Y POR CADA UNO

Caricatura de Cortázar, de Gilmar Fraga
Una carta de amor
Todo lo que de vos quisiera
es tan poco en el fondo
porque en el fondo es todo,
como un perro que pasa, una colina,
esas cosas de nada, cotidianas,
espiga y cabellera y dos terrones,
el olor de tu cuerpo,
lo que decís de cualquier cosa,
conmigo o contra mía,
todo eso es tan poco,
yo lo quiero de vos porque te quiero.
Que mires más allá de mí,
que me ames con violenta prescindencia
del mañana, que el grito
de tu entrega se estrelle
en la cara de un jefe de oficina,
y que el placer que juntos inventamos
sea otro signo de la libertad.
Ein Liebesbrief
Alles, was ich von dir möchte,
ist so wenig im Grunde,
weil es im Grunde alles ist,
wie ein Hund, der vorbeigeht, ein Hügel,
diese Dinge aus Nichts, Alltäglichkeiten,
Ähre und Haar und zwei Zuckerwürfel,
der Duft deines Körpers,
was du sagst über irgendetwas,
mit mir oder gegen mich,
all das ist so wenig,
ich will es von dir weil ich dich liebe.
Schau über mich hinaus,
liebe mich mit dem harten Verzicht
auf das morgen, der Schrei
deiner Hingabe zerschelle
im Gesicht eines Bürochefs,
und die Lust, die wir zusammen erfinden,
sei ein weiteres Zeichen der Freiheit.

I
Polvo
Dente do rato
Pego no flagra
Ato escuro antigo
Radicalmente imoral
Que marcou
Toda minha vida
Colher dos frutos
Na outra vida sempre
Colado ao teu corpo
E sem mãos
“Tanto milho jogado
E eu sem bico”
Velho, ancião
Desde a tenra infância
Cheio
Por qualquer mesquinhez
Satisfeito e até feliz
Diante de qualquer migalha
Se minha vida foi
Já nada foi
Somente agora
Radiante e constante
A que te pego
Leitor
A que te pego
Alicate tesoura martelo
Para penetrar a lata
II
Uma linda cidade
Apareceu esta manhã
Na minha janela
A observo como um gato
Observa ao rato
Salta a linda
E não para chamar minha atenção
Dá curtos rodeios
Morre sozinha do susto
Do susto apenas morre
Quieta permanece
Diante da minha janela
Sem habitantes sem vida salva
Em sua circulação de trânsito
Em sua deslumbrante e eterna manhã
Como eternos são meus olhos
E minhas mãos de polvo
E meu olhar de gato
E meu corpo colado ao teu
Impotente e estéril
Diante de sua beleza de alfinetes
De afogamento de lágrimas
Já incontidos
III
Dou de beber ao filhote
Que sou
Ao cachorro da rua
Fumaça aromática das cidades
Única alma justa
Pela qual não se incomoda
Esta pecaminosa cidade
Cachorro que fareja todos os dias
Nossas almas
E por isso vai de cabeça baixa
E com vergonha alheia
Nos outorga seu perdão
Enquanto a TV segue dando
Conselhos de vida
De voz cheia
E o pobre predicador
Passa calor pelo seu paletó
Tanto por andar cheio de fé
Para de sofrer Jesus Cristo vem
Cristo te ama
E as flores intocadas e intocáveos
Dos galhos mais acima
Das árvores
Onde os anjos se entretem
Diminutos anjos
Das cidades subdesenvolvidas
Disso dão fé.
IV
Sob a voz enfim
Não há uma nuvem mais
Neste quadrinho
Me retraio
Como o polvo
Como o gato entediado
Que sou
Como o rato
Que guarda seu dente
Para maio.
Anjos da sombra
E anjos da luz
Fazem migalhas
Sobre o caixilho
Da minha janela
Sobre a moldura
Que é esta cidade.
Não nos separa apenas
A cor da pele
Mas também o coração
Mas são anjos todos.
Cachorros vagabundos
Tolerantes com nossa humanidade.
Cachorros das ruas.

Walt Whitman
chocolates at
the Walmart,
the commodity
of Art snacked
while reading
a recent edition
of Poetry sent
from Chicago
as a beard
sifts through
tomatoes
in memory
of Allen
Ginsberg
and the first
time Harriet
published
Ezra,
the imagist,
and lines
from Leaves
of Grass
are etched
on the walls
of the elevator
at the Lyric
in New York,
and a life size
doll greets
visitors
to the Walt
Whitman
Rest Stop
on the New
Jersey Turnpike.
In transit
from elevator
to highway
to fruits and
veg, searching
America
for Walt,
and Ezra
too, who
wrote his pact
to the old
woodcarver
saying: “let there
be commerce
between us.”
Now Allen
has gone
as well down
the long slide
leaving
Walmart and me
to record the sale
of chocolates,
Poetry still
here in 2012,
thanks to a grant
from Ruth Lilly
who inherited
her largesse
from the sale
of compounds,
medicines,
a man named Eli
who, like Merrill,
made money
so his son James
could write. But
that is another
American line
not yet for sale
in Walmart
or on the Turnpike.

Vou-me embora pra Sabores
Lá meu cartão é rei
Lá tem a cerveja que quero
Em copos gelados, que eu sei
Vou-me embora pra Sabores
Vou-me embora pra Sabores
Aqui nem sou feliz
Lá as coisas costuram
De forma tão inteligente
Que a Unila, louca e cheia de manha,
“Imperatriz” e negligente
Se torna o amor doente
Do amante que não tive
E como caminharei, na lástima
Vou me por em bicicleta
Correrei por entres os carros
Subirei na melhor mesa
Vou comer shawarma e amar!
E quando estiver borracho
Caido, como um qualquer vil
Mando chamar o garçom
Pra guardar minha história
Pois logo não serei menino
E alguém irá me podar
Vou-me embora pra Sabores
Na Sabores tudo é louco
Louco em união
Tem pessoal seguro
Pra parir a confusão
Tem mesa amarela
Tem cadeira a vontade
Tem travestis bonitas
Pra gente paquerar
E quando me ver sem riso, triste
Sem alegria e sem direito
Quando a noite vier
E a morte me chamar
– lá meu cartão é rei –
Terei o lanche que quero
Na mesa que escolherei
Vou-me embora pra Sabores

Sobre o cimento fresco
do mudo mar de minha cidade
– entre os tristes botes
das docas de pescadores –
lanço minhas redes. Desmanchadas
minhas perguntas
são uns desejos mais
sobre a imantada superfície.
Sombras efêmeras
meus anseios.
Quero morrer. Morrer.
Ficar em dia,
como disse alguma vez, de velhez,
meu cansado pai.
Quero morrer
e fazer tudo mais uma vez.
(Escrito provavelmente em 1984)

¿Es de la lluvia nacido el delirio que colma tu rostro de fiereza?
No, aunque tus ojos enferman de escaleras hacia lo incierto
es sólo violenta intolerancia,
es hambre de nubes claras
suave reverbero de palabras no dichas
o quizá sólo sea que un sabor incierto de azar
un olor, un gesto que amas te recuerdan
todas las vida que has de vivir
y parecen palpitar en este instante.
No, no es miedo
es el cataclismo que vendrá y se anuncia
en un perfil recortado contra la noche.
Hablaría entonces tu último entendimiento
tu gana inmensa de ser otro y otros al paso del tiempo.
Paciencia
ese otro llegará, serás los que no has sido,
es sólo cuestión de tiempo.
El estribillo de cada sueño hará llegar lo desconocido.
Tus gestos, tu voluntad, tu ambición por otras voces
se harán presentes, verás,
por ahora mira lo cotidiano
y perdona, respira, abandona,
ya lo han dicho otros: “cada instante algo muere”
Si no fuese así ¿Cómo vivirías?
Todas las escamas del tiempo han de caer,
para ser algo más que nuestro proyecto siempre inacabado
pero presente en las palabras que le dan aliento,
no importa su coloratura: Amar, Volver, Olvidar.